Tambaqui
Nome Científico: Colossoma macropomum
Nutrição: Onívoro, come frutos, sementes, castanhas e insetos.
Habitat: Rios e matas inundadas das bacias Amazônica e Araguaia-Tocantins.
Comprimento Médio: Até 1 metro.
Peso Médio: 10 kg a 30 kg.
Como atrair: Frutas da região, massas, salsicha ou milho.
O tambaqui (Colossoma macropomum) é reconhecido como o segundo maior peixe de escamas da bacia Amazônica, superado apenas pelo pirarucu, podendo atingir até 1,1 metro de comprimento e pesar mais de 40 kg em ambiente selvagem. Biologicamente, destaca-se por sua adaptação única: possui dentes molariformes extremamente fortes, semelhantes aos molares humanos, capazes de quebrar castanhas e sementes duras da floresta inundada. Além disso, apresenta rastros branquiais longos e numerosos, que funcionam como um sistema de filtragem eficiente para a captura de zooplâncton.
Ecologicamente, o tambaqui desempenha o papel vital de "jardineiro das águas" através da ictiocoria. Durante a época de cheia (Igapó), ele migra para as florestas alagadas em busca de alimento, consumindo uma vasta variedade de frutos e sementes. Como muitas dessas sementes passam intactas pelo seu trato digestivo e são depositadas longe da planta-mãe, o peixe garante a dispersão vegetal e a regeneração de áreas de várzea. Sua migração reprodutiva, conhecida como piracema, ocorre em rios de águas barrentas, onde uma única fêmea pode liberar mais de um milhão de ovos por desova.
Na piscicultura brasileira, a espécie é o carro-chefe entre os peixes nativos, com uma produção que supera as 100 mil toneladas anuais. Pesquisas recentes lideradas por instituições como a Embrapa focam no aprimoramento genético para desenvolver linhagens de crescimento acelerado e maior resistência ao frio. Um dos maiores avanços científicos foi o sequenciamento completo do seu genoma, que permitiu a identificação de genes associados à ausência das "espinhas em Y", uma inovação que pode transformar o tambaqui em uma commodity global ao facilitar a industrialização do filé.
Do ponto de vista tecnológico e de bem-estar animal, cientistas desenvolveram sistemas de visão computacional para monitorar o estresse do peixe de forma automatizada. Observou-se que o nível de estresse está diretamente relacionado à intensidade da mancha escura em seu ventre (counter shading); quanto mais estressado, maior a expansão das células de pigmento. Esse monitoramento, aliado ao uso de sistemas de cultivo intensivo com aeração, tem permitido triplicar a produtividade em estados como Amazonas e Rondônia, consolidando o tambaqui como pilar econômico e nutricional da região.